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Notícia

Caminhão velho fatura 30% menos

12/08/2013

Os caminhões brasileiros têm, na média, 16 anos de uso, o dobro do que é considerado ideal por especialistas. A média aumenta para entre 21 e 22 anos em mais de 60% da frota de veículos comerciais, operados por profissionais autônomos. No detalhamento dos cálculos para chegar à média, observa-se que o Brasil convive, atualmente, com 185 mil caminhões com mais de 30 anos.
 
O estudo “Caminhoneiros no Brasil”, feito pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), como parte do Programa Despoluir, calcula que um caminhão com mais de 17 anos roda 24% a menos em relação aos mais novos. Da mesma forma, o faturamento dos antigos é 30% menor em relação a um veículo com um ano de uso.
 
Um caminhão quebrado, por exemplo, acarreta em vias de fluxo intenso de veículos, como as marginais da cidade de São Paulo. Além disso, há o custo social, resultado do trânsito e da poluição, e, ainda, do aumento do número de acidentes, uma vez que não raras vezes os problemas mecânicos dos caminhões velhos têm relação direta com as ocorrências.
 
“A retirada dos caminhões obsoletos e em más condições de uso e circulação é necessária para reduzir a poluição e também os acidentes de trânsito, que trazem custos humanos e financeiros, para as pessoas e para o país, refletidos nos sistemas previdenciários e de saúde”, diz Bruno Batista, diretor-executivo da CNT.
 
Para ele, a idade avançada da frota rodoviária é um problema social e como tal deve ser tratada. Ele cita casos de países como Espanha, Argentina e México que há anos implementaram programas de retirada de veículos antigos das ruas. Na Espanha, a união entre fabricantes de veículos, o poder público e operadoras viabilizou, a partir do ano 2000, um programa para reciclagem dos veículos velhos.
 
Um certificado de despoluição, emitido por órgãos recicladores, foi o pré-requisito para aquisição de um novo veículo em condições vantajosas. Além de atingir a meta de reciclagem, a economia espanhola viu nascer um negócio altamente lucrativo com o mercado de tratamento de veículos.
 
A experiência argentina mostrou que o primeiro passo para a criação de uma política de reciclagem é acabar com a informalidade ao elaborar leis e intensificar o controle do Estado nas diversas fases do processo de renovação de frota e sucateamento. A motivação principal da Argentina foi reduzir o roubo de carros. A partir de legislação específica, criada em 2003, o governo conseguiu não apenas a redução de 17% do volume de carros roubados, mas também descobriu, como na Espanha, que a reciclagem dá lucro.
 
Segundo o diretor-executivo da CNT, é necessário que haja celeridade no processo de implementação de medidas de reciclagem e renovação da frota. “É imprescindível o apoio do poder público, para levar todos os agentes envolvidos a decisões convergentes”, diz. Ele afirma que os trabalhos da CNT para implementação de planos de reciclagem e renovação da frota vêm sendo desenvolvidos desde 2009. “Temos contribuído com estudos, negociação com os atores envolvidos, mas falta a adesão dos órgãos institucionais”, finaliza.
 

Fonte:  http://www.guiadotrc.com.br (Valor Econômico)